Fluxus tempus est aeternus quod inexorable

By hadesmcc

   Nada me custa mais que pensar que, um dia, tal como a chama de um isqueiro quando se fecha a saída do gáz, eu me vou apagar. Sempre que penso nisto, um pedaço de mim morre. Só para imaginarem o quão triste é para mim este assunto, pensem que eu preferia morrer a viver sem uma parte de mim. Dado que eu não quero, de todo, morrer imaginem como isto me faz sentir. À luz da razão do meu pensamento, este fenómeno é pura e simplesmente esmagador. A crueldade que é vivermos com a noção de que caminhamos inexorávelmente para um fim é avassaladora prova de que a nossa consciência é não só um dom como também uma maldição. E o que me assusta não é exactamente imaginar que vou ‘perder’ o meu corpo. Apesar de o meu corpo e aquilo que eu sou e as pessoas conhecem estarem indistinguivelmente ligadas, estas são duas entidades distintas e muito reais. A que me preocupa “perder” é a segunda. Apesar de ao recordamos alguém, ou ao tecermos algum julgamento sobre alguém, nos “apoiarmos” mormente na representação física da existência da pessoa, quando penso em mim não é no meu corpo que me fixo, mas sim nessa entidade que o habita e que o anima e que apesar de distinta é deste indissociável. Uma sem a outra não existe. É o desaparecimento dessa entidade intangível que é o ser, aquilo que me atormenta. Esse tormento provoca em mim um sentimento de deslocação e vertigem como se de repente me encontrasse fora, fora do meu “navio”, esse transporte efémero que me confere o dom da vida. É com uma enorme sensação de impotência que encerro este pensamento, na consciência de que me é completamente impossível perpetuar a existência física do meu ser no fluxo temporal e com esperança de conseguir perputar aquilo que sou através da memória das gerações vindouras.

4 Respostas para “Fluxus tempus est aeternus quod inexorable”

  1. Sofia Diz:

    Apenas passei por aqui para dizer, que és o maior!!!!!!!! lololol
    Apeteceu-me dizer-te isto, mas não fiques convencido, lol

    Jinhos grandes

  2. Luis "The Aita" Diz:

    Eu cá acho que não devemos pensar muito nisso. Acho que mais vale pensar na vida, nas coisas boas que ela tem e tentarmos tirar o maior partido possível dela. Eu não tenho qualquer tipo de dúvida que a minha existência não vai findar na minha morte. E por isso não tenho qualquer medo da morte, tenho medo sim é da forma de morrer.

  3. André "Hitman" Diz:

    Tens razão, devemos não pensar muito nisso e tentar tirar o maior partido possível da vida. Mas eu, como ao contrário de ti não acredito na “vida” para além da morte, não tenho à vontade para não pensar neste assunto ocasionalmente e como não tenho a “segurança” de acreditar que vou resistir ao teste do tempo este assunto deprime-me profundamente.

  4. Mark Diz:

    Muitas vezes dou por mim a pensar o mesmo. Mas depois sigo a mesma filosofia do Aita. Pensemos antes em viver !!!

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